19 Jan Alergia em Idade Pediátrica
Alergia em Idade Pediátrica
Diagnóstico precoce para uma vida sem limitações
Introdução
As doenças alérgicas são uma das condições crónicas mais prevalentes em idade pediátrica e tendem a evoluir ao longo do crescimento, num fenómeno conhecido como “marcha alérgica” — em que manifestações como a dermatite atópica nos primeiros anos podem anteceder alergia alimentar, rinite ou asma. A avaliação precoce permite identificar fatores de risco, confirmar ou excluir alergias e prevenir complicações, garantindo um desenvolvimento saudável e uma melhor qualidade de vida.
Causas e manifestações mais frequentes
- Dermatite atópica: frequentemente a primeira manifestação de doença alérgica; resulta de disfunção da barreira cutânea e inflamação imunológica, podendo associar‑se a sensibilizações alimentares ou ambientais.
- Alergias alimentares: predominam nos primeiros anos de vida.
- Alergia respiratória: rinite/conjuntivite alérgica, com impacto no sono e no desempenho escolar; muitas vezes associada a exposição a pólenes, ácaros e animais.
- Urticária e angioedema: podem surgir por alimentos, fármacos, infeções ou outras causas.
- Reações a picadas de insetos ou medicamentos: requerem avaliação específica para exclusão de risco anafilático.
Como é feito o diagnóstico
- Avaliação clínica pormenorizada, centrada na história familiar, exposição ambiental, história alimentar e evolução dos sintomas.
- Testes cutâneos (prick tests) e/ou determinação de IgE específica, adequados à idade e à suspeita clínica.
- Testes de provocação oral ou respiratória em ambiente controlado, quando necessário para confirmar ou excluir alergia.
- Provas de função respiratória, para avaliação de asma.
- Avaliação multidisciplinar, articulando Imunoalergologia, Pediatria e Nutrição, quando indicado.
Tratamento e prevenção
- Plano terapêutico personalizado, adequado à idade, tipo de alergia e contexto familiar.
- Evicção dirigida do alergénio identificado, evitando restrições alimentares desnecessárias.
- Tratamento farmacológico conforme a patologia.
- Imunoterapia específica (vacinas de alergia) em casos selecionados.
- Educação familiar sobre controlo ambiental, reconhecimento de sintomas de alarme e utilização de autoinjetor de adrenalina quando clinicamente indicado.
- Promoção da tolerância alimentar e gestão da introdução alimentar: introdução adequada e supervisionada de alimentos potencialmente alergénicos pode, em alguns casos, reduzir o risco de alergia — sempre sob orientação médica.
Quando procurar ajuda médica
- Sintomas cutâneos persistentes, como eczema, urticária ou angioedema.
- Reações imediatas após ingestão de alimentos ou toma de medicamentos — podem ser sugestivas de alergia.
- Sintomas respiratórios recorrentes (pieira, tosse, espirros, congestão nasal persistente).
- História familiar de alergia associada a sintomas compatíveis na criança.